Diante da minha
limitada condição humana, mergulho no
mais profundo silencio, na tentativa de compreender a ingratidão dos homens e o
egoísmo em toda parte.
Posso ouvir sussurros
de vozes aclamando discursos tão bonitos e recordar tão recentes atitudes
opostas.
Fico a vagar
no escuro da noite feito alma sem face. Me perco em ideias, busco respostas,
clamo uma saída, mas escorrego na inércia de pouca esperança.
Soluço,
grito.
Depois me
ouço.
Ouço minha
própria voz e percebo um querer bem tão
sincero quanto querer de mãe. Acalmo-me.
A vida me
sacode. Lamento tudo...
Enfim
consigo retomar a minha lucidez.
E num novo
instante, feito click de câmera fotográfica sou tomada por um desejo de total
entrega .
Dou-me
inteira já que não posso suportar o vazio da solidão
A vida se
faz luz, sombra, cor...
Sou tomada
pela vontade no novo, me descubro pintando, escrevendo, criando...
Me ponho em companhia
de um bom vinho, um bom filme, boas histórias, descobertas. Suplico muito aprender
e sentir.
Que eu me emocione e que meus olhos possam rios
escorregar .
Que a musica
me embale, a palavra me eleve e a
fotografia me revele.
Sinto um
brotar de asas. Anseio voar.
Encontro-me
com a arte.

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